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Quando deixei de ver a lua

luar

Num final de noite frio, de noite estrelada, um homem dirige seu carro pelas ruas da cidade.

No banco de trás ele carrega um tesouro: seu filhinho de dois anos de idade.

Parados no semáforo, ele observa que o filho está com o olhar fixado no alto, longe, para fora da janela.

Uma luz azul suave adentra o veículo, iluminando o rosto da criança, proporcionando uma beleza sem igual para o pai apaixonado.

Então, com aquela voz tenra, a voz pequena da descoberta das primeiras palavras, o filho diz: lua.

Sim, é mesmo! – diz o pai. É a lua! Que linda é a lua, não é, meu filho?

A criança nada responde, e continua observando, encantada, o satélite natural da Terra.

As crianças sabem que o belo precisa ser contemplado, e que qualquer palavra é pequena e insuficiente para descrevê-lo.

Após isto, o pai torna o olhar para fora também, e consegue observar a maravilha de uma noite enluarada de outono.

Consigo então pensa: Quando deixei de ver a lua?…

Lembrou-se que fazia muito tempo, desde a última vez que pôde contemplar o fulgurante brilho lunar.

Será que me esqueci da lua?… Ela certamente não esqueceu de mim, pois há pouco conversava com meu filho, em pensamento…

*   *   *

Os dias tumultuosos, os muitos afazeres, as preocupações. Tudo isso pode nos fazer perder um pouco o contato com a natureza, e com as coisas simples da vida.

Começa o ano, quando vemos já é março, já é junho… E nesse tempo todo – pois é muito tempo – não pudemos ver o céu estrelado, um pôr do sol, ouvir um pássaro cantar…

Faltou tempo, alegamos, quando na verdade faltou oportunidade. E quem é capaz de criar tais oportunidades? Somos nós apenas, ninguém mais.

O contato com a natureza nos renova as forças, nos proporciona momentos de reflexão, de pensamentos mais leves, despretensiosos até…

Tudo isso faz bem à alma e ao corpo. O ser humano precisa recarregar suas energias, constantemente, e Deus nos deu diversas fontes inesgotáveis de tais recursos.

Uma volta na quadra a passos lentos; um piquenique sem hora para começar ou terminar; alguns minutos de brincadeira com os filhos…

Um jantar surpresa, a dois; uma visita a alguém querido; um final de semana sem TV ou Internet…

Não podemos nos deixar ser simplesmente consumidos, pelo mundo moderno e suas neuroses atuais.

A vida é muito mais que acordar, trabalhar, alimentar-se, usufruir de pequenos prazeres, dormir…

Estamos aqui, na Terra, com objetivos muito claros e nobres. Estamos aqui para crescer, para nos transformar em pessoas de bem através do amor.

Se nos esquecemos disso passamos a ser espécies de zumbis sociáveis, afogados em mil afazeres, sempre fazendo algo – sem tempo para nada – mas, vazios, tristes, depressivos.

Assim, não deixe de ver a lua, de notar as estrelas, e de se maravilhar com elas.

Não deixe de estar de corpo e alma com quem você ama; não deixe de observar a natureza, e escutar o que ela sempre tem a lhe dizer.

 

Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 16, ed. Fep.
Em 29.11.2010.

 
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Publicado por em 28/02/2017 em Reflexão

 

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Tempo de amolar o machado

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Conta-se que um jovem lenhador ficara impressionado com a eficácia e rapidez com que um velho e experiente lenhador, da região onde morava, cortava e empilhava as madeiras das árvores.

O jovem o admirava, e o seu desejo permanente era de, um dia, tornar-se tão bom, senão melhor, do que aquele homem, no ofício de cortar madeira.

Certo dia, o rapaz resolveu procurar o velho lenhador, no propósito de aprender com quem mais sabia.

Enfim ele poderia tornar-se o melhor lenhador que aquela cidade já tinha ouvido falar.

Passados apenas alguns dias daquele aprendizado, o jovem resolvera que sabia tudo, e que aquele senhor não era tão bom assim quanto falavam.

Impetuoso, afrontou o velho lenhador, desafiando-o para uma disputa: em um dia de trabalho, quem cortaria mais árvores.

O experiente lenhador aceitou, sabendo que seria uma oportunidade de dar uma lição ao jovem arrogante.

Lá se foram os dois decidir quem seria o melhor.

De um lado, o jovem, forte, robusto e incansável, mantinha-se firme, cortando as suas árvores sem parar.

Do outro, o velho lenhador, desenvolvendo o seu trabalho, silencioso, tranquilo, também firme e sem demonstrar nenhum cansaço.

Num dado momento, o jovem olhou para trás a fim de ver como estava o velho lenhador, e qual não foi a sua surpresa, ao vê-lo sentado.

O jovem sorriu e pensou: Além de velho e cansado, está ficando tolo. Por acaso não sabe ele que estamos numa disputa?

Assim, ele prosseguiu cortando lenha sem parar, sem descansar um minuto.

Ao final do tempo estabelecido, encontraram-se os dois, e os representantes da comissão julgadora foram efetuar a contagem e medição.

Para a admiração de todos, foi constatado que o velho havia cortado quase duas vezes mais árvores que o jovem desafiante.

Este, espantado e irritado, ao mesmo tempo, indagou-lhe qual o segredo para cortar tantas árvores, se, uma ou duas vezes que parara para olhar, o vira sentado.

Ele, ao contrário, não havia parado ou descansado nenhuma vez.

O velho, sabiamente, lhe respondeu:

Todas as vezes que você me via assentado, eu não estava simplesmente parado, descansando. Eu estava amolando o meu machado!

****************

Reflitamos sobre o ensino trazido pelo conto.

Obviamente, com um machado mais afiado, o poder de corte do velho lenhador era muito superior ao do jovem.

Este, embora mais vigoroso na força, certamente não percebeu que, com o tempo, seu machado perdia o fio, e com isso perdia a eficácia.

Quando chegamos em determinadas épocas de nossas vidas, como o fim de mais um ano de trabalho, de esforço, de empreendimento, esta lição pode ser muito bem aplicada.

É tempo de amolar o machado!

Embora pensemos que não possamos parar, que tempo é dinheiro, que vamos ficar para trás, perceberemos, na prática, que, se não pararmos para amolar o machado, de tempos em tempos, não conseguiremos êxito.

Amolar o machado não é apenas descansar o corpo, é também refletir, avaliar, limpar a mente e reorganizar o nosso íntimo.

Amolar o machado é raciocinar, usar a inteligência para descobrir se estamos utilizando nossas forças da melhor forma possível.

Assim, guardemos algum tempo para essas práticas realmente necessárias, e veremos, mais tarde, que nosso machado poderá cortar as árvores com maior eficiência.

 

Redação do Momento Espírita, com base em conto da obra
S.O.S. Dinâmica de Grupo, de Albigenor e Rose Militão,
ed. Qualitymark.
Em 19.1.2017.

 
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Publicado por em 24/01/2017 em Reflexão

 

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Maestros do silêncio; gurus da calmaria

É mais ou menos por aí! Gostei, compartilhei!

Um veículo é feito para rodar, não para bater. Mesmo assim, há testes de colisão para avaliar como cada modelo se comportaria num acidente. Esses testes são tão importantes que os modelos mais vulneráveis são desvalorizados antes mesmo de chegarem ao mercado. A gente nasce para ser feliz. Casa para formar família. Trabalha para ter […]

via Maestros do silêncio; gurus da calmaria — Rino Sonhador

 
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Publicado por em 06/01/2017 em Reflexão

 

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Pensando no bem comum

bem-comum

Sr. Raul, homem probo, que sempre lutara contra uma enfermidade incurável, estava no quintal da sua casa em cidade litorânea, fazendo um buraco no solo a fim de plantar uma muda de mangueira, quando uma vizinha que o observava por cima do muro perguntou:

Sr. Raul, o senhor já está em idade avançada e não ignora que a enfermidade pode levá-lo a qualquer momento.

Assim sendo, sabe que não comerá mangas dessa mangueira. Por que tanto esforço em plantá-la?

Aquele homem simples pensou um instante, olhou para a vizinha e respondeu com sabedoria:

Até hoje como mangas que nunca plantei.

A resposta curta traz em si mesma grande conteúdo que vale a pena ser meditado.

Se todos agíssemos como o Sr. Raul, certamente o mundo teria outra feição em pouquíssimo tempo.

Quantas coisas nos beneficiam sem que tenhamos tomado parte nelas.

Quantas frutas saborosas temos comido sem que tenhamos plantado as árvores que as produzem.

Quanta sombra temos aproveitado de árvores frondosas que jamais plantamos.

Quantos acidentes são evitados porque alguém passa, percebe o buraco na estrada, e trata de sinalizá-lo para os que virão em seguida.

Quantos medicamentos aliviam nossas dores sem que sequer saibamos quem os elaborou.

Quantas atitudes louváveis de criaturas que pensam mais nos outros que em si mesmas.

Ghandi sabia que não desfrutaria de uma Índia livre do jugo da Inglaterra, mas lutou por libertá-la pensando nos seus irmãos.

Martin Luther King Junior sabia que seu sonho estava distante da realização, mas deu a vida para que suas ideias pudessem beneficiar brancos e negros.

Albert Schweitzer não pensou em si mesmo quando abandonou a vida de conforto e opulência para se embrenhar na selva africana e ajudar os nativos, desinteressadamente.

Madre Teresa de Calcutá não hesitou em abandonar a vida confortável do convento para auxiliar seus irmãos a sorver as gotas de sofrimento, em nome do amor.

Marie Curie foi vítima da radioatividade, mas contribuiu grandemente com a Humanidade nas pesquisas que empreendeu sobre o elemento rádio.

Em momento algum essas criaturas pensaram em si mesmas, mas tão somente no benefício que seu esforço poderia trazer para os demais.

Como Madame Curie, outros tantos cientistas passam anos enclausurados em seus laboratórios em busca de novas fórmulas para aliviar as dores da Humanidade inteira.

Agir dessa forma é agir com altruísmo. É não ser egoísta. É pensar no bem comum ao invés de pensar somente em si.

Quando todos nós pensarmos assim, estaremos preparados para contemplar um mundo melhor. Um mundo construído por todos e para todos, como verdadeiros irmãos.

A Justiça Divina conduz aos nossos lábios a taça que nós próprios envenenamos e igualmente leva aos nossos olhos as maravilhas que houvermos semeado em nossa estrada evolutiva.

Na esteira do progresso e através da reencarnação receberemos de conformidade com as nossas obras.

Redação do Momento Espírita.
Em 12.08.2009.

 
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Publicado por em 16/12/2016 em Reflexão

 

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Valorize

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Valorize a vida que Deus te deu

Valorize o pai, a mãe o irmão

Valorize o dia que amanheceu

Valorize a flor que brotou do chão

 

Valorize os bons momentos

Valorize o sol que desponta cedo

Valorize seus bons sentimentos

Valorize sua coragem e não seu medo

 

Valorize quem a seu lado decidiu ficar

Pelo simples prazer de tudo compartilhar

Pois junto a ti gosta de estar

 

Valorize o amigo que se importa

Que liga, que se interessa

Que quando bate em tua porta

Só quer saber se você está bem 

E desfrutar a sua companhia sem pressa

 

Valorize porque ninguém, mantém a presença

Por mais que queira, por mais amor que tenha

Onde reina a indiferença

 

Valorize o amor que lhe é ofertado

Pois não há sensação mais doce que amar

E não há felicidade maior que sentir-se amado.

 

Silvia Gomes

 
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Publicado por em 04/11/2016 em Poesia

 

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A primeira pedra

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Reflitamos hoje sobre esse costume humano de apontar faltas, defeitos, problemas, no outro.

Julgamos sempre.

Na maioria das vezes, ainda, com uma severidade desproporcional – dessa que não desejaríamos para conosco de forma alguma.

Somos demasiadamente cruéis em nossos julgares, pois raramente analisamos a situação com cuidado. Raramente consideramos atenuantes e quase nunca somos imparciais.

Recordamos os acusadores da mulher adúltera, na conhecida passagem evangélica.

O julgamento foi sumário. A lei humana, na pobreza de achar que a punição pela morte seria a solução, condenou aquela mulher ao apedrejamento em praça pública.

Assim, achamo-nos no direito de apedrejar.

Enchemo-nos de razão e raiva, carregamos as mãos das melhores pedras, e apontamos para o criminoso.

Mas, quem de nós não está criminoso? – Poderíamos inquirir, inspirados pela pergunta feita por Jesus naquela feita.

Dizemos não está ao invés de não é, pelo simples fato de que ninguém está fadado ao mal, ninguém foi feito criminoso. É um estado temporário no erro.

Quem de nós não está criminoso?

Esta proposta – que é de Jesus – não isenta a pessoa de assumir a responsabilidade sobre seus atos.

Ela apenas ajuda a controlar nossa crueldade, num primeiro momento, e depois, auxilia no reconhecimento de nossas próprias falhas.

A lição do atire a primeira pedra aquele que não se encontra em pecado é um exercício de tolerância e de autoconhecimento também.

Evita-se a condenação cruel, intolerante, e, logo após, se promove uma reflexão íntima, buscando cada um as suas próprias dificuldades a vencer.

Todos estamos inseridos neste processo de erros e acertos. Todos fazemos parte dos mecanismos da lei de progresso que nos impulsiona para frente.

Perdoar, compreender os erros alheios, não é promover a impunidade – de maneira nenhuma. A Lei Divina sempre irá cobrar seus devedores.

Tolerar significa estender as mãos de amor a quem precisa de amparo, de orientação.

Quando nos detemos nos defeitos e faltas dos outros, o espelho de nossa mente reflete-os, de imediato, como que absorvendo as imagens deprimentes de que se constituem.

Põe-se nossa imaginação a digerir essa espécie de alimento, que mais tarde se incorpora aos tecidos sutis de nossa alma.

Com o decurso do tempo nossa alma não raro passa a exprimir, pelo seu veículo de manifestação, o que assimilara, fazendo-o, seja pelo corpo carnal, entre os homens, seja pelo corpo espiritual de que nos servimos, depois da morte.

É por essa razão que geralmente os censores do procedimento alheio acabam praticando as mesmas ações que condenam no próximo.

Interessados em descer às minúcias do mal, absorvem-lhe inconscientemente as emanações, surpreendendo-se, um dia, dominados pelas forças que o representam.

Estejamos, assim procurando incessantemente o bem, ajudando, aprendendo, servindo, desculpando e amando, porque, nessa atitude, refletiremos os cultivadores da luz…

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8 do livro
Pensamento e vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 4.10.2016.

 

 
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Publicado por em 07/10/2016 em Reflexão

 

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Eu não tenho escolha

nao-tenho-escolha

Gostei! Rebloguei!

Rino Sonhador

Faça o que quiser com o meu amor.

Ele é meu, mas eu te dei

Você pode ignorá-lo, guarda-lo, expô-lo

VOCÊ pode. Eu não.

Porque sou eu quem sente

E sei que parte dele

vai continuar aqui.

Escondida, é verdade.

Porque ninguém gosta do papel de tolo

E, se em algum momento ele te interessar

Me consulte… pode ser que ele ainda exista

O amor é um item raro

Nasce e morre sozinho

Não tenho poder sobre ele…

Não é uma questão de querer

Porque se eu pudesse escolher

Ele sequer teria nascido.

A semente era de espinho.

Soube desde que a vi…

Mas cuidei-a com carinho,

regando aqui e ali.

Cresceu, espinho deu… e me feriu.

Não tive ódio, não quis arrancá-la.

Na verdade, agradeci…

Pois até os espinhos têm flor…

A semente, era de amor,

mas floresceu só em mim.
(E não fui eu quem plantou…)

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Publicado por em 07/09/2016 em Poesia

 

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