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O Futuro

Passamos toda a vida nos preocupando com o futuro. Fazendo planos para o futuro. Tentando prever o futuro. Como se desvendá-lo fosse aliviar o impacto. Mas o futuro está sempre mudando. O futuro é o lar dos nossos medos mais profundos e das nossas maiores esperanças. Mas uma coisa é certa: quando ele finalmente se revela, o futuro nunca é como imaginamos.

Grey’s Anatomy

 
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Publicado por em 29/07/2020 em Reflexão

 

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As aglomerações sem máscara e a maldição do Rio de Janeiro

Este texto (desabafo) é de uma carioca, mas poderia ser, apenas trocando os pontos turísticos, de qualquer morador de qualquer cidade do Brasil, pois em todas elas a população tem o mesmo comportamento diante da maior crise sanitária do Planeta.

“Ontem nós decidimos dar uma volta. Pegamos o carro e saímos olhando do mar, do Arpoador até o Pontal. Vimos a praia de Ipanema e o Leblon cheias. Gente sem máscara batendo papo na areia em todo o percurso. Aglomerações nos quiosques da Reserva. E na volta, muita gente nos bares do Leblon.
O vírus é uma inexorabilidade da vida. A natureza nos impõe esse tipo de desafio ao longo da história. A vida é uma batalha. A ecologia é um equilíbrio constante entre a vida e a morte. Algumas sociedades e civilizações acreditam que os seres humanos devem estar preparados para os desafios que a vida lhes impõe.
Essas sociedades têm maior resiliência, essa capacidade fundamental para a prosperidade, que é a de aprender com as dificuldades e ficar mais forte após supera-las.
Uma característica das sociedades resilientes é a autonomia dos indivíduos. Autonomia é a capacidade de autogoverno, de autodisciplina.
É produto da consciência das próprias responsabilidades e das consequências das próprias ações.
É ela que torna possível sociedades livres, menos dependentes de autoridades e governos. E ela que torna possível as democracias representativas sólidas e estáveis, onde o político é um representante de adultos responsáveis e éticos com o papel de organizar a interação coletiva para melhores resultados para todos.
O seu oposto é a anomia. A dificuldade de entender, aceitar e colaborar para o desenvolvimento de normas e regras que regulem o próprio comportamento e a vida em sociedade de forma justa.
Ou a heteronomia. Ambas são um tipo de infantilização que torna o conjunto dos cidadãos dependentes de uma autoridade que resolva os seus problemas. São uma forma, em adultos educados e bem formados, como os habitantes do Leblon na frente dos seus bares ontem, de recusa da responsabilidade, essa precondição tão necessária à liberdade com responsabilidade.
É um tipo de egoísmo, de auto-centramento, de autoindulgência, de autocomplacência, de inconsequência, de irresponsabilidade. Essas pessoas serão os vetores de contaminação e talvez de morte de seus amigos e familiares. Mas e daí? Eles estão a fim de tomar um chope! E daí? Eles estão a fim de dar um rolé! E daí? Eles precisam dar uma paquerada.
É o mesmo tipo de comportamento que leva à preguiça em se organizar para que a nossa política não fique nas mãos de oportunistas. Afinal, eles precisam ir à Praia, viajar para Miami, curtir a vida! Mas não se conformam com as injustiças do mundo!
São tão legais…. Tão descolados…… Tão revoltados com os problemas da sociedade brasileira! Eles vão matar muita gente por sua irresponsabilidade. Mas vão votar em quem prometer reverter as consequências dos seus atos. Como isso não é possível, vão colocar mais um oportunista inconsequente, corrupto e canalha no governo. Mas farão isso com a consciência limpa de ter votado em quem defende mais justiça para os pobres.
Quando as pessoas continuarem morrendo, vão debater, nas mesas dos bares, sobre os políticos canalhas que falharam em conter a pandemia. Vão elogiar os resultados Noruega e do Japão. Vão se lamentar pela corja que nos governa. Sempre com a consciência tranquila. Sempre se achando do bem. Sempre virando a cara para as consequências dos próprios atos. Sempre colocando a culpa nos outros pelas desgraças que causam.
Nas próximas eleições talvez não votem! Estão “enojadinhos” da política”. No fim de semana das eleições vão para Angra. Para Búzios. Dar um rolezinho de barco para conseguir lidar com a dureza e a injustiça da sociedade brasileira. E vão falar mal dos brasileiros, desse “zé povinho” que vota mal e não faz a sua parte. E revoltadinhos vão aplicar para vistos para a Europa para os EUA. Afinal, não tem que aguentar a tosquice dessa gente fraca, incapaz de assumir responsabilidades.”
Carmen Migueles
 
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Publicado por em 28/07/2020 em Reflexão

 

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O que virá depois…?

Hoje vivemos com esse questionamento na cabeça. Só se fala em “novo normal”.

Mentes inventivas em todos os setores da sociedade apresentam ideias para adaptar a vida humana as exigências que a pandemia do novo coronavírus está impondo a todos nós.

Desde equipamentos sofisticados à simples adaptações ao cotidiano estão surgindo.

Como em tempos de guerra o avanço da tecnologia e da ciência está sendo acelerado.

Mas, será que vamos realmente aproveitar a oportunidade para acelerar também nossa evolução espiritual? Será que vamos aprender as lições nas entrelinhas?

Vamos rever nossas convicções e atitudes? Vamos finalmente entender que cada indivíduo é parte de um todo, que uns dependemos dos outros e que devemos caminhar juntos?

O que virá depois…? Já que o que aparentemente estamos vendo é uma incansável insistência, de uma parte muito grande da população mundial que se nega a proteger-se do perigo da doença como resiste à mudança existencial necessária e urgente?

Por que continuamos enquanto agentes de segurança praticando abordagens violentas e selvagens?

Por que enquanto detentores de cargos de autoridade, seguimos segregando por classes e negando a igualdade de oportunidades e atendimento?

O Espiritismo nos ensina que a Lei Divina é imutável e se não aprendemos com o amor, iremos inevitavelmente aprender com a dor. E isso vem se comprovando através dos tempos, mas por que tão poucos assimilam esse conhecimento?

A obra de Alan Kardec nos informa que o planeta Terra passará de um mundo de provas e expiações a um novo e promissor mundo de regeneração.

Certamente as mudanças materiais, em matéria de higiene e distanciamento, diminuindo aglomerações irracionais, poderão inaugurar uma era com menos doenças físicas, desde que aplicadas com isonomia, sem distinção de raça, cor, gênero e qualquer condição humana.

Mas percebam… Para isso se tornar realidade, como dito no parágrafo anterior, as mudanças materiais não se darão sem as mudanças existenciais, portanto, precisamos priorizar a conquista do valor maior contido na Lei Divina. Precisamos aprender a AMAR!

Porque AMAR, significa nos tratarmos todos como irmãos que somos; dependentes uns dos outros para, não só sobreviver, mas para finalmente começar a VIVER!

Silvia Gomes

 
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Publicado por em 13/07/2020 em Reflexão

 

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A vida

 
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Publicado por em 23/06/2020 em Reflexão

 

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O risco

 
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Publicado por em 23/06/2020 em Reflexão

 

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O Jair que há em nós

“O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.

No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência… em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.

Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.

O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.

Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.

Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. (…)

Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.

Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo?”

 

Ivann Lago

Professor e Doutor em Sociologia Política

 

 
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Publicado por em 14/06/2020 em Reflexão

 

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POR QUE NÃO TE CALAS, ESTÚPIDO?

Desabafo de um médico à convocação de Bolsonaro para o povo entrar nas UTIs e fazer fotografias.

Respondo-te com teu linguajar chulo e autoritário, que não é o meu. Assim tu compreenderás,com teus simplórios atributos intelectuais, o que quero dizer.

Exigimos respeito, como médicos e profissionais de saúde. Não mentimos ou desprezamos fatos, nem temos tua boca suja a cuspir palavrões, insanidades e acusações levianas.

Respeitamos, ao contrário de ti, os mais de 40.000 mortos e seus familiares. Tu és ingrato. Nenhuma palavra de agradecimento ou apoio aos que labutam bravamente contra essa doença. Tu és covarde.

Escuda-te atrás de militares de alta patente para esconder tua inépcia e incapacidade gerencial. Teu passado é sombrio, tenente cínico. Foste enxotado da caserna por trair os regulamentos militares. Deputado medíocre.

Nunca defendeu algo nobre. Apologista da tortura, prestarás conta dos teus atos. Desce dos helicópteros em que te penduras e macaqueia pelos céus. Desce do cavalo de narinas dilatadas em que tu, sacudido como um esqueleto sem máscara, avança para teu triunfo, o triunfo da morte.

Vem governar, estúpido! Não tememos tuas ameaças e milícias. Venham aos hospitais públicos. Encontrarão cansaço, faces marcadas pelas máscaras do trabalho, mãos limpas, amor e dedicação a profissão.

Encontrarão doentes se recuperando, alguns ainda próximos da morte, corpos no necrotério e lágrimas dos familiares. Documentarão familiares agradecidos ao trabalho de profissionais e gestores sérios que lutaram pela vida e contra a morte.

Beócio, tudo isso te causa ira, inveja e despeito e o corrói tuas pútridas entranhas. Teu ocaso deixará alívio e não saudade. Se calados ficarmos, teu desgoverno deixará um rastro de miséria com uma legião de desempregados e subempregados, devastará o meio ambiente, aniquilará minorias, fortalecerá o obscurantismo, destruirá a cultura, a ciência e o pensamento, infringindo a nós, povo brasileiro, os piores vexames perante a comunidade internacional.

Tu não passas de um soldado bisonho marchando em círculos, acompanhado de um pelotão de coveiros, a administrar cemitérios lotados e negar os fatos.

Sérgio Pessoa – Médico e Cidadão Brasileiro.

Fonte: FACEBOOK

Resposta ao pronunciamento de JMB, ao vivo, em redes sociais, em 11 de junho de 2020: “Quem que quer ganhar com isso? Tem um ganho político dos caras… Tem hospital de campanha perto de você? Tem hospital público? Arranjem uma maneira de entrar e filmem…”

 

 
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Publicado por em 14/06/2020 em Reflexão

 

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