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Alguém para compartilhar

03 Mar
 Um amigo nos contou algo impressionante.
 
Desde muito jovem e antes mesmo de se graduar em física, ele desenvolvia pesquisas em iniciação científica e se interessava por questões ligadas aos fundamentos da física, e à lógica matemática.

 

Continuou seus estudos em Lógica e Filosofia da Ciência no programa de pós-graduação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Estadual de Campinas, entrando no campo da Teoria da Prova.

Seu projeto era provar uma proposição de Dag Prawitz, da “Escola Escandinava de Teoria da Prova”, denominado “Teorema de normalização simples para a Lógica Clássica de primeira ordem completa”.

Em sua tese de doutorado, “Provas de normalização para a Lógica Clássica”, defendida na mesma Instituição em 1990, assumiu o problema proposto por Per Martin Löf, que consiste em definir um conceito de “pior seqüência de redução” para as derivações.

Com este trabalho, que lhe valeu o prêmio Santista Juventude conseguiu provar que, se a pior seqüência de redução termina, então todas as seqüências terminam em uma única forma normal.

Você deve estar se questionando: “o que vem a ser tudo isso? Não entendi absolutamente nada!”

Mas foi justamente isso que nos impressionou na história desse amigo.

Ele era profundo estudioso e conhecedor da teoria da prova, uma área específica da lógica matemática, mas resolveu deixar tudo isso de lado.

E sabe por quê?

Bem, porque ele sentia muita dificuldade em dividir seus conhecimentos com alguém, pois poucas pessoas conheciam essa área.

“Então”, contava-nos ele, “deixei de lado essa matéria porque conhecia somente umas cinco pessoas com quem podia falar sobre o assunto, e algumas delas viviam fora do Brasil. Eu sinto necessidade de compartilhar minhas idéias”, concluiu o filósofo.

O ser humano tem necessidade de dividir seus sentimentos com alguém.

Por mais feliz que ele seja, se não houver ninguém para compartilhar, a felicidade não faz sentido.

De que vale uma grande conquista, sem alguém que nos abrace e nos diga: “parabéns, você venceu!”?

De que adianta sentir uma grande alegria se não tiver ninguém para saber disso?

Não faz sentido sorrir, se não houver alguém para rir conosco.

Quando vemos um filme e algo nos chama a atenção, logo queremos falar sobre isso, contar para alguém, mesmo que esse alguém seja um desconhecido.

Enfim, a felicidade e a infelicidade são estados d’alma para serem compartilhados.

Sem alguém para dividir conosco as nossas alegrias e tristezas, a vida fica sem sentido.

Foi por essa razão que o jovem matemático resolveu deixar de lado aquela área da lógica e tratar de assuntos que pudesse compartilhar, trocar idéias, discutir.

É verdade que existem áreas do conhecimento humano com as quais raros missionários assumem o compromisso de estudar e descobrir meios de torná-los úteis à humanidade.

Mas mesmo esses ilustres missionários não deixam de sentir, vez ou outra, a necessidade de compartilhar suas descobertas com alguém.

Na falta de quem os ouça, é bem possível que a depressão lhes faça companhia. Ainda assim se decidem pelo isolamento, por amor à causa que assumiram perante suas próprias consciências e pelo bem de seus semelhantes.

Pense nisso!

Sem alguém para compartilhar, não haveria abraços, nem apertos de mãos, nem troca de idéias…

Não haveria como dividir os medos, os anseios, os sonhos, as alegrias…

As pessoas que vivem isoladas, entram em profundas depressões, perdem a vitalidade e a vontade de viver…

Pense nisso e, se tiver com quem, compartilhe suas experiências. Descubra a arte de compartilhar e perceberá que a vida lhe mostrará um colorido todo especial.

 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em conversa com Cosme Massi e  em matéria a seu respeito, publicada no site:www.fundacaobunge.org.br/fundacaobungepagina_03.htm
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3 Comentários

Publicado por em 03/03/2012 em Reflexão

 

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3 responses to “Alguém para compartilhar

  1. ELZA MARY ALMEIDA DOS SANTOS CARDOSO

    19/09/2012 at 22:18

    Que legal este texto!
    Isto me lembra uma pessoa que conheço (que tb não mora no Brasil), que é super inteligente, que fez seu doutorado sobre um assunto que ninguém entendia absolutamente nada e que tem sérios problemas de relacionamento. Este texto me elucidou. Acho que é exatamente aí que está o problema dele!

     
    • Silvia Gomes

      20/09/2012 at 9:39

      Verdade Elza.
      Acho que todos nós em algum momento nos sentimos assim, quando não conseguimos nos fazer entender em nossos sentimentos, medos, sonhos….
      Até porque hoje em dia todo mundo quer tudo muito mastigado e com resolução imediata.
      E também estamos todos muito fechados em nós mesmos, priorizando o individualismo em detrimento da convivência fraterna.
      Obrigado pelo comentário! Abraços fraternos!

       
  2. Cláudio Viana Silveira

    20/09/2012 at 16:42

    Como diria teu amigo aqui: Sociedade: embaraçosa para alguns, ‘gerível’ para uma maioria, imprescindível ao todo… “Como – ou com quem – dividir os medos, os anseios, os sonhos, as alegrias…” Obrigado, amiga pela bela página. Abraço do Claudio.

     

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