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Os tempos são outros

01 Mar

Há momentos na vida em que é inevitável sentirmos uma certa melancolia. Instantes em que diante de determinadas situações na caminhada, constatamos que os tempos são outros e aquilo que norteava nossas atitudes e pensamentos, já não faz mais sentido.

Aprendi com meus pais a demonstrar sempre o afeto, o respeito e a consideração por todos que passam por minha vida. Ensinaram-me, sempre através do exemplo, que quem ama cuida; quem ama se preocupa, se importa; se interessa.

Mas hoje os tempos são outros e embora estejamos todos conectados e expondo nossas vidas em tempo real no mundo virtual, paradoxalmente nos incomodamos muito quando alguém se preocupa conosco e temos medo, verdadeiro pânico do envolvimento, nos sentimos invadidos.

Pequenos gestos de carinho, como um cartão de Natal, um presente fora de datas especiais, um telefonema somente para saber se o amigo está bem, uma visita sem agendamento, etc., caíram em definitivo desuso, são sinônimos de segundas intenções.

Tudo isto, em alguns momentos, me causa tristeza, mas aprendi com a vida que os momentos melancólicos não devem ser alimentados. Que o passado… já passou… que temos que nos adaptar aos novos tempos e que afeto e carinho verdadeiros a gente oferece gratuitamente e não é responsabilidade nossa se o outro não sabe receber.

Aprendi com a vida que o sol sempre vai voltar amanhã para renovar os ares e as almas; e alimentar os bons sentimentos que temos no coração, que só sobreviverão se forem compartilhados, mesmo que ainda sejamos todos inseguros, com medo de amar e de receber amor.

Silvia Gomes

 
1 Comentário

Publicado por em 01/03/2015 em Reflexão

 

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One response to “Os tempos são outros

  1. Claudio Viana Silveira

    08/03/2015 at 18:42

    Possuía, antigamente, uma extensa lista de nomes e endereços que utilizava para enviar, no final de ano, cartões de Natal para familiares e amigos. Com o advento das páginas sociais, tal lista se perdeu e os que hoje não aderiram ao mundo virtual, deixam de ser cumprimentados… Tal fato me faz sofrer um pouco, pois dias atrás soube que um desses amigos, que ficou à margem da virtualidade, passou por sérios perrengues e não fui capaz de consolá-lo. Precisarei me reciclar e retomar minha antiga lista; ao menos de pessoas como esta… Obrigado pelo puxão de orelhas. Abraço do Claudio.

     

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