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Incapaz

incapaz

Andy Foster tem quarenta e cinco anos. É autista e garçom num restaurante da Inglaterra.

Quando alguns clientes se sentiram incomodados com sua presença, como se tivessem algum problema em serem atendidos por ele, o dono do estabelecimento tomou uma atitude radical.

Escreveu uma carta e postou numa rede social:

“Hoje passamos o dia reconstruindo a autoestima de um dos membros da nossa equipe, depois dele ter sido desrespeitado e discriminado ao servir uma mesa, no jantar de ontem à noite.

“Qual é o problema dele?” E “por que você deu este trabalho para ele?” – Os clientes perguntaram…

Aqui em nosso restaurante, nós contratamos nossos funcionários com base na experiência e paixão pelo trabalho…

Não contratamos pela cor da pele, pela aparência, pela quantidade de tatuagens, pelo tamanho das roupas, pelas crenças religiosas ou por doenças. Nós não discriminamos!

Mas se você faz isso… Então, por favor, não reserve uma mesa conosco. Você não merece nosso tempo, esforço, nem respeito!”

Ainda trazemos vícios antigos na alma.

Por que homens e mulheres recebem remunerações diferentes ao realizarem o mesmo trabalho, ao ocuparem o mesmo cargo?

Por que pessoas idosas não podem trabalhar?

Por que nos utilizamos do termo incapaz, referindo-nos à pessoa com deficiência?

Incapaz do quê? De realizar certas tarefas?

Reflitamos: será que todos nós não somos ainda incapazes de muitas coisas? Como Espíritos em desenvolvimento na Terra não temos muitas lacunas intelecto-morais?

Alguns de nós, vendo alguém tocando alguns acordes de uma música num instrumento qualquer, afirmamos: Não sou capaz de tocar nem uma campainha!

Outros não temos jeito algum para trabalhos manuais.

Outros, ainda, não entendemos uma vírgula das notícias sobre economia, bolsa de valores, câmbio, etc.

E somos chamados de incapazes por isso? Seria uma grande ofensa, no mínimo.

Assim, debruçando nosso olhar para esses que são considerados especiais, perceberemos que eles podem ter muita dificuldade em certas áreas; que aprendem com mais vagar. Entretanto, ao mesmo tempo, fazem muitas outras coisas com maestria, até com virtuosismo.

São capazes de atender uma mesa num restaurante com mais simpatia e alegria do que muitos dos chamados normais;

são capazes de realizar tarefas com extrema atenção, com capricho – algo muito difícil de se encontrar em funcionários, no geral;

são capazes de cozinhar, de ministrar uma aula, de atuar e de tudo que possamos imaginar. Mais ainda, são capazes de nos fazer acreditar no poder da persistência, do esforço e da resignação. Eles nos ensinam muitas coisas.

Pensemos bem. Reflitamos um pouco mais da próxima vez que ouvirmos o termo incapaz ou quando percebermos qualquer tipo de discriminação com quem quer que seja.

Por fim, sejamos nós aqueles que abrimos portas para eles, para que deixem de ser excluídos em nossa sociedade e possam ter uma vida plena.

Não permitamos que nosso preconceito nos transforme em verdadeiros incapazes.

 Redação do Momento Espírita,
 com base em fato. 
Em 30.5.2016.

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Publicado por em 04/06/2016 em Reflexão

 

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Inclusão

inclusão

Sem amigos na escola, o menino Roman Povey, de onze anos, nunca quis comemorar seu aniversário e sempre passou a data sozinho.

Sua mãe, utilizando-se de uma comunidade social na internet, fez um desabafo, contando as dificuldades dela e do garoto.

Ela relata que o filho chora todas as noites por não ter amigos, além de só ter sido convidado uma única vez para uma festa de aniversário de colegas de sua escola em Devon, na Inglaterra, onde residem.

Além de ficar com o coração partido pela tristeza do filho, a mãe contou que Roman tem dificuldade em fazer amigos e em ser aceito, devido a um problema de comunicação:

Ele teve atraso na fala, e quando as crianças vêm conversar, ele não acompanha e se sente mal. –Afirma ela.

Ainda, na postagem, a mãe pedia que os conhecidos enviassem cartões de felicitações pelo aniversário do filho.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, o post se tornou um viral, e o menino recebeu mais de quatrocentas cartas de todo o mundo, com felicitações.

Pessoas de Uganda, Dubai, Dinamarca, Áustria, Egito, Nova Zelândia, Alemanha, Noruega, entre outros.

A compaixão de todas essas pessoas foi muito inspiradora. Declarou a mãe ao jornal.

Após o sucesso da mensagem, quando chegou na escola, Roman foi cercado por várias crianças, que o parabenizaram. Segundo a mãe, ele chorou muito.

Ele disse que estava chorando de felicidade. – Contou ela.

Além disso, a mãe resolveu organizar uma festa surpresa para o filho.

Roman teve uma surpresa incrível nesta noite. Muito obrigada às cinquenta e cinco pessoas que guardaram segredo e participaram de uma memória inesquecível para o meu filho. – Postou a mãe na rede social.

*   *   *

Nunca se utilizou tanto este termo no mundo: inclusão, ou inclusão social.

Em alguns países, isso é uma questão mais bem resolvida, em outros ainda não.

Desejamos, porém, ir mais fundo do que apenas na questão da inserção de todas as pessoas, sem discriminação qualquer, no ensino regular das escolas ou na sociedade como um todo.

Precisamos falar da inclusão no coração, isto é, do sentimento por trás dela, pois de nada adianta isso estar na lei, se não estiver também no coração, na consciência de cada um.

A ideia de inclusão precisa estar na educação de todos nós, desde o berço.

A lei de igualdade, lei divina, diz que todos temos os mesmos direitos perante a vida. Trazemos sim, cada um, necessidades especiais, características únicas, que nos diferenciam uns dos outros, mas isso não nos torna, jamais, mais ou menos merecedores de direitos.

Ainda iremos descobrir, quando estivermos devidamente maduros como humanidade, que não foi a lei do mais forte, ou a seleção natural, que nos fez chegar onde estamos, que nos fez ser mais sábios e melhores.

Chegará o dia em que entenderemos que a única força que é capaz de proporcionar a verdadeira evolução é a da fraternidade, do compartilhar conhecimento e felicidade.

É a lei do amor que nos rege acima de todas as outras.

Incluir é ter no coração este sentimento de que todos somos irmãos, que estamos todos no mesmo barco, e de que estamos aqui não para competir uns com os outros, mas para nos ajudarmos.

“O melhor não será aquele que chegar primeiro, mas sim aquele que chegar trazendo o maior número de outros em seu abraço.”

Redação do Momento Espírita, com base em
reportagem do site UOL, em 29.4.2015.
Em 25.6.2015.

 
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Publicado por em 26/06/2015 em Reflexão

 

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O Preconceito, as Cotas e a Dignidade

Basicamente todos nós levantamos as bandeiras da igualdade e da fraternidade.

Defendemos a igualdade de oportunidades, para que vença na vida aquele que tiver mais méritos, ou seja, aquele que se dedicar com denodo aos estudos e a perseguir seus objetivos com perseverança e coragem.

Entretanto o modelo de sociedade escolhido por praticamente a totalidade da raça humana, não contempla com oportunidades iguais todos os seus membros, visto que a maioria dos problemas enfrentados desde o inicio da humanidade, continuam a atormentar nossas vidas.

Todos eles originados pelo o orgulho,o egoísmo e a vaidade, fazem com que alguns seres humanos se achem superiores a outros semelhantes, impondo obstáculos ao exercício da igualdade e da fraternidade e permitindo assim que indivíduos de uma etnia, povo ou grupo se considerem melhores que todos os outros, julgando-se merecedores de todas as chances de conquistar uma vida melhor e concedendo aos outros a obrigação de servir sem maiores direitos.

Este apenas um entre os inúmeros preconceitos cultivados veladamente por todos nós enquanto pertencentes a uma etnia, um povo, país ou um grupo.

Em todos os tempos, surgem dirigentes dos mais diversos povos do planeta, interessados em promover a aproximação dos indivíduos com leis que diminuam as desigualdades.

Assim foram criadas as políticas de cotas em todos os países, não só no Brasil e que atualmente causam tanta polêmica, com muitas críticas.

Diante disso, como seguidores da Doutrina Espírita, que, com propriedade nos informa e esclarece que temos o dever de corrigir nossos equívocos através de tantas vidas quanto forem necessárias, cabe-nos perguntar:

E a sociedade, como um todo estaria isenta deste dever?

Especificamente em nosso País que por mais de 400 anos manteve sob a chibata a etnia negra provocando o atraso e a marginalidade de varias gerações deste povo que produziu e ainda produz grande parte das riquezas desta Nação?

Se já não houvesse um enorme e violento preconceito no seio de nossa sociedade, estaríamos hoje no limear do século 21, reverenciando com grande alarde a chegada de um cidadão comum e igual a todos nós a um cargo de destaque na República, notadamente pela cor da sua pele?

As políticas de cotas são ações de reparação necessárias e não deveriam ser permanentes se tivéssemos a dignidade de eliminar de nossos corações e mentes, o orgulho, o egoísmo e a vaidade.

Talvez seu maior mérito seja mesmo a polêmica que provoca, colocando para fora do verniz social, os tantos preconceitos que insistimos em camuflar.

Silvia Gomes

 
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Publicado por em 24/11/2012 em Reflexão

 

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