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Sou de Esquerda!

“Eu nasci num berço privilegiado. Tive uma educação conservadora, fui evangelizada nos preceitos do espiritismo, estudei nos melhores colégios particulares de Curitiba e casei com um médico aos 19 anos. Fui bela, recatada e do lar. Votei no Serra. Achava que o sistema de cotas era vitimismo.

Falava que era feminina, jamais feminista. Repetia a máxima: não dê o peixe, ensine a pescar. Já achei Bolsa Família uma máquina de produzir pobres preguiçosos. Já fiz piada sobre nordestinos e baianos e já acreditei em “racismo reverso”.

Também já falei que sucesso escolar dependia de escolhas e levantava a bandeira da meritocracia como se ela fosse um mecanismo das leis da natureza, simples assim. Nos almoços de família, sentia minhas teorias sobre a “grande mudança social” validadas por pessoas que pensavam como eu. Os churrascos eram agradabilíssimos.

Um belo dia, aceitei uma proposta de trabalho, lá no interior de Goiás, para fundar e administrar um projeto social que atendia crianças e adolescentes da periferia de Rio Verde. Foi a primeira vez que aquelas teorias vociferadas no churras de domingo foram postas à prova. Era o meu momento de mostrar pro mundo que, com 27 anos, eu sabia exatamente o que estava fazendo. Bom, eu não sabia. E como não temos uma temporada da Netflix pra desenvolver esse post aqui, basta dizer: MINHAS TEORIAS CAÍRAM POR TERRA.

Caíram por terra quando um aluno recém chegado da Paraíba com uma vontade enorme de estudar era obrigado a entregar drogas na vizinhança sob ameaça de que suas irmãs seriam estupradas se ele não o fizesse – a polícia fazia parte do esquema – descobri que esforço pessoal não era o problema desse garoto.

Caíram por terra quando eu encaminhei alunos pra estágio de jovem aprendiz e, de um grupo de 4 adolescentes, somente o menino negro não conseguiu entrar, apesar de ter competências muito semelhantes às dos colegas. Caíram por terra quando um aluno (veja só, também negro) desapareceu porque foi trancado E ESQUECIDO numa sala de aula como método corretivo por não ter copiado a tarefa de matemática. – descobri que o racismo é um fenômeno estrutural e institucionalizado e que as especificidades da população negra exigem políticas de ação afirmativa, como as cotas, que tentam diminuir as desigualdades e restituir direitos negados há seculos.

Caíram por terra quando eu dei colo pra uma menina que só dormia em sala de aula e com péssimo rendimento escolar porque ela fazia todo o trabalho doméstico para os homens da casa, além de ser abusada sexualmente pelo avô todas as noites – descobri que a violência contra meninas é uma questão de gênero e que o olhar feminista é imprescindível para entender e enfrentar esse fenômeno.

Caíram por terra quando eu soube que nenhuma das famílias atendidas havia parado de trabalhar para receber 90 reais de Bolsa Família, mas que esse valor era muito importante para complementar a renda no mês – descobri que as exigências educacionais e as condicionalidades na área da saúde eram cumpridas pelas famílias – criança na escola, vacinas em dia e acompanhamento do crescimento no posto de saúde.

Caíram por terra quando fui no hospital visitar 2 alunos, irmãos, negros, atingidos por bala perdida, um deles ficou paraplégico – descobri que jovens negros são exterminados, EXTERMINADOS no Brasil.

Caíram por terra quando minha aluna mais querida caiu nas garras da exploração sexual e passou a cometer delitos, na tentativa de fugir dos abusos que sofria de todos os homens da família dela.

Foram 10 anos de Escola de ser. E foi lá que eu conheci um pouco do mundo como ele é. É muito fácil defender uma visão política toda trabalhada na meritocracia e bem estar individual quando você faz três refeições por dia, tem casa própria, um salário razoável e uma boa perspectiva de futuro. Eu já estive nesse lugar e me sinto profundamente constrangida por isso.
Não sou especialista em Sociologia, Economia, Política e Direito, mas hoje meu posicionamento político é baseado na minha experiência profissional e em todas as leituras que dedico para entender o cenário político atual, de grandes e renomados estudiosos, juristas, pensadores, assim como me interessa ouvir o que as minorias constantemente atingidas pela desigualdade social têm pra falar e reivindicar. Não me sinto a dona da verdade por isso, mas entendo que esse esforço me aproxima de uma visão de mundo mais coerente, realista, responsável e conectada com o coletivo.

O Brasil tem uma história colonialista, escravocrata, conservadora, militarista que mostra uma inclinação anti-esquerdista predominante, da qual eu quero distância, nem que isso custe os churrascos com amigos, uma vida mais solitária (porém mais coerente) e xingamentos in-box.
E embora eu não santifique Lula nem venere o PT, eu sou de esquerda. ESQUERDA. Nesse contexto, desde o impeachment de Dilma à prisão de Lula, repudio todo o processo que culminou num golpe que flerta com a ditadura, num despotismo judicial concretizado numa condenação sem provas e na constante ameaça ao Estado democrático de direito.

Eu reafirmo a minha posição: SOU DE ESQUERDA.”

Caroline Arcari. (Possui graduação em PEDAGOGIA pela Universidade de Rio Verde (2006) e especialização em Educação Sexual pela CESEX-WAS e Arteterapia em Educação pela Universidade Cândido Mendes. Mestra em Educação Sexual pela Unesp, atualmente é presidente do Instituto CORES, CEO da Editora Caqui, escritora de livros infantis, consultora da Rede Globo, consultora na área de Educação Sexual e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, atuando em projetos de Educação Sexual escolar e políticas públicas de prevenção de violência sexual infanto-juvenil. Seu perfil profissional contempla os seguintes temas: educação sexual, sexualidade infantil, formação de educadores, prevenção de violência sexual, programas de autoproteção contra violência sexual.)

Retirado do Facebook de Loraine Scholz Gomes, publicado originalmente por Claudio Viola Pinheiro

Em tempo: Também eu, Silvia Gomes, SOU E SEMPRE SEREI DE ESQUERDA!!

 

 
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Publicado por em 24/11/2019 em Reflexão

 

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Deus Negro

Eu, detestando pretos, eu, sem coração! Eu, perdido num coreto, gritando: “Separação”!

Eu, você, nós… nós todos, cheios de preconceitos, fugindo como se eles carregassem lodo, lodo na cor… E, com petulância, arrogância, afastando a pele irmã.

Mas, estou pensando agora, e quando chegar minha hora?
Meu Deus, se eu morresse amanhã, de manhã?
Numa viagem esquisita, entre nuvens feias e bonitas, se eu chegasse lá e um porteiro manco, como os aleijados que eu gozei, viesse abrir a porta, e eu reparasse em sua vista torta, igual àquela que eu critiquei? Se a sua mão tateasse pelo trinco, como as mãos do cego que não ajudei?

Se a porta rangesse, chorando os choros que provoquei?
Se uma criança me tomasse pela mão, criança como aquela que não embalei, e me levasse por um corredor florido, colorido, como as flores que eu jamais dei? Se eu visse as paredes caindo, como as das creches e asilos que não ajudei?
E se a criança tirasse corpos do caminho, corpos que eu não levantei, dando desculpas de que eram bêbados, mas eram epiléticos, que era vagabundagem, mas era fome?

Meu Deus! Agora me assusta pronunciar seu nome.
E se mais para a frente a criança cobrisse o corpo nu,
da prostituta que eu usei, ou do moribundo que não olhei,
ou da velha que não respeitei, ou da mãe que não amei ?
Corpo de alguém exposto, jogado por minha causa,
porque não estendi a mão, porque no amor fiz pausa e dei,
sei lá, só dei desgosto?

Deus não está vestido de ouro. Mas como? Está num simples trono. Simples como não fui, humilde como não sou.
Deus decepção. Deus na cor que eu não queria,
Deus cara a cara, face a face, sem aquela imponente classe.
Deus simples! Deus negro! Deus negro? E eu…Racista, egoísta. E agora? Na terra só persegui os pretos, não aluguei casa, não apertei a mão. 
Meu Deus você é negro, que desilusão!

Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão? Que nada.
Meu Deus você é negro, que decepção!
Não dei emprego, virei o rosto. E agora?
Será que vai me dar um canto, vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei?

Deus, eu não podia adivinhar. Por que você se fez assim?
Por que se fez preto, preto como o engraxate, aquele que expulsei da frente de casa? 
Deus pregaram você na cruz e você me pregou uma peça. 
Eu me esforcei à beça em tantas coisas, e cheguei até a pensar em amor, 
Mas nunca, nunca pensei em adivinhar sua cor.

Neimar de Barros (década de 70).

Poderíamos ter aprendido nestes longos quase cinquenta anos, mas infelizmente não aprendemos nada e este texto ainda é muito atual por incrível que pareça, em pleno século XXI!

 
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Publicado por em 03/06/2019 em Poesia, Reflexão

 

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Deixe-me ir, preciso Anddad…(Elisa Lucinda)

Elisa Lucinda

ARTIGO – “A ditadura não foi uma revolução, nem um movimento. Foi, sobretudo, um misto de ignorância e covardia” 

Fonte: Jornalistas Livres

O que mais me preocupa nessas eleições é o domínio da irracionalidade diante de uma escolha tão importante. E para que essa irracionalidade se concretizasse, o ódio foi vendido em massa na cara da população, que consome todos os dias um excesso de espelho do modelo americano imperialista, que há muito nos subjuga.

Vivemos no país da melhor música do mundo, onde se ouve de norte a sul música americana em todas as lojas. Nas boates, nas salas de espera, nas festas. Uma chatice. Uma espécie de estrangeirisse em todos os lugares. É a trilha oficial da academia, quem aguenta? E junto com isso vem o lixo dos games de guerra, a indução à violência em todos os canais abertos a toda pobre inocente criancinha brasileira.

A educação pela superação para vencer o outro, ser melhor do que o outro, ser o único, avança a cada dia. “Colégio São Sicrano, seu filho em primeiro lugar no vestibular!” Acontece que esse vencedor terá 799 inimigos ali, porque são 800 alunos. O que é isso, o tempo inteiro melhor do que o outro? A cultura da vantagem: pessoas compram o que não querem por causa da vantagem e começam a consumir o que escolheram só por causa da vantagem. “Comprei cinco latas de salsicha, estava na promoção”. Mas você gosta? “Agora eu gosto, né? Saio ganhando”. É tudo meio torto.

O desprezo por si, pelo que se come, o desprezo pelo outro que é potencialmente aquele que eu vou vencer, e por isso é que se vende nos EUA armamento a todo momento e o povo dispõe de balas, de armas de fogo expostas e vendidas ao lado das balas de chupar no cinema. Socorro! Não se pode vender arma sem vender o ódio. Estamos experimentando uma civilidade que não quer pensar além da capa, e tudo que lhe é contrário não existe, é mentira, é fake news. Um mundo irreal, onde é preciso criar uma paranoia para justificá-lo.

Estamos experimentando o resultado de uma negligência e uma irresponsabilidade que o nosso jornalismo sofreu nos últimos tempos. Em especial na história mais recente do país, onde há omissão dos muitos dos que narram a informação e deixaram-se contaminar pela teoria e prática da polarização política do país, pela uniformidade da informação, e de nos deixar ausentes de uma avaliação crítica do nosso tempo com mais independência.

Parece que a população está com raiva, parece que fomos mordidos por uns cachorros bravos. Peraí, mas ao mesmo tempo, as mulheres se reuniram em 37 cidades brasileiras e não se registrou nenhuma briga. Não estou puxando sardinha para o nosso lado não, meninas. Mas pode fazer sentido: à mulher foi dada uma educação onde a sensibilidade, o gosto pelas coisas pequenas e delicadas e, principalmente, pelas tarefas de doação, como amamentar, carregar criança dentro da barriga, cozinhar com ela no colo, cuidar do outro, coisa que toda mulher aprende e o homem não. Talvez culturalmente tenhamos mesmo a boa  possibilidade de produzir a paz.

Por isso também agora pulsa em mim uma certeza de que, ainda que a critiquemos, a democracia ainda é o melhor sistema político encontrado para respeitar a diversidade dos seres e a liberdade do pensamento. É ela que quero garantir nesse primeiro turno. É ela que está ameaçada. O projeto de país que me atrai não pode ser mais excludente do que esse já é, nem mais homicida e violento. A cidadania avançou, nós caminhamos para respeitar o jeito de ser de cada um, sem racismo, sem homofobia, sem tudo o que não presta, tudo que vem pela via da intolerância.

No país que eu quero o Estado não é grande nem pequeno. É do tamanho do seu povo. Estado mínimo para mim é povo mínimo. Eu pago meus impostos e quero receber por ele: saúde, segurança, educação e cultura. Simples assim. E mais, no meu sonho, os bens de um tempo devem pertencer a todos daquela comunidade, no caso a grande comunidade brasileira. Não quero mais do só olhar para o MEU próprio umbigo, a segurança do MEU condomínio, do colégio do MEU filho, o seguro do MEU carro. Esse negócio de pouca gente ter tudo e muita gente ter pouco ou nada não parece que nos levará a alguma espécie de paz.

Fui criada na ditadura, a infância passei sob ela. E não era bonito ser criança e ver a tensão dos pais com seus filhos estudantes adolescentes em perigo, cantores sendo presos, intelectuais silenciados. A impressão que se tinha, mais tarde confirmei, era de que os presos eram inocentes. Muita gente morreu, muita gente foi torturada. E o Brasil paga até hoje um custo alto por esta interrupção muito violenta num país de Darcy Ribeiro e Paulo Freire, para citar dois. A ditadura não foi uma revolução, nem um movimento. A ditadura foi, sobretudo, um misto de ignorância e covardia. Foi sério. As cabeças cortadas, os exílios que foram impostos a inteligentes brasileiros, tudo isso faz falta no país que hoje somos. 

Ando todo tempo pelo Brasil, e em São Paulo um taxista me disse: “Comprei essa autonomia e minha casa no governo Lula e o Haddad que era nosso ministro da Educação, bicho inteligente, mandou construir entre três cidades lá do Ceará, com distância de 11 km uma da outra, uma universidade e uma escola politécnica. Hoje meus sobrinhos não precisam sair do Nordeste para ser taxista aqui em São Paulo; são professores, estão na universidade”. Então, meus amores, este é o Brasil que eu quero. Um país de todos. E confio nele, pois tem uma juventude negra, aliás, uma juventude excluída que entrou nas universidades e vai votar certamente por uma educação para todos. Não vou esperar o segundo turno para ter certeza da minha vontade. Fico com o povo. Voto com o povo. Sou povo. Domingo já vou de Haddad!
 
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Publicado por em 24/10/2018 em Política, Reflexão

 

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Senso Comum

senso comum

Neste momento delicado que passa o meu país, não é possível ficar em cima do muro, e hoje o cenário pede determinação e posicionamento. Por isso compartilho este texto de um jornalista gaúcho que expressa com exatidão a minha percepção do cenário político e social do Brasil.

O panorama é decisivo para as próximas gerações e é impossível não escolher a Democracia. Por questão de humanidade e sensatez.

Definitivamente: ele não!!!!

Bolsonaro e o senso comum

O homem que se ensanguenta de excitação vendo José Luís Datena vota em Jair Bolsonaro. O homem radical do senso comum que se farta vendo Faustão, Ratinho ou Luciano Huck como o melhor que já se produziu, vota em Bolsonaro em nome dos bons costumes. O homem do senso comum que passa a vida vociferando na frente da televisão vota em Bolsonaro.

O senso comum não sussurra. Grita suas verdades. Não se intimida. Exibe o seu ódio. Não pondera. Desfila suas simplificações definitivas. O senso comum sabe tudo, sabe de tudo, sabe até o que não sabe. Não sente vergonha, berra: “Bandido bom é bandido morto”.

O machão que se sente desvalorizado na sua virilidade com o empoderamento das mulheres e dos LGBT vota no capitão. O senso comum sai do armário e grita em praça pública: “Odeio cotas, odeio o bolsa-família, odeio índios com terras demarcadas, odeio pobres”. O capitão tenta disfarçar para garantir votos. Não adianta. O seu eleitor fala.

O senso comum convence o pobre de que ele é pobre exclusivamente por sua culpa. O general Mourão, vice do capitão, desenhou para o mundo entender a profundidade da sua ideologia alimentada pela antropologia do século XIX: a nossa indolência vem do índio; a malandragem, do negro; a beleza, do branco (“Meu neto é um cara bonito, viu ali? Branqueamento da raça”).

Brincadeira de milico rude? Racismo que não se envergonha de marchar em ordem desunida? Flagrante de uma visão que saiu do armário e desfila na esfera pública.

O senso comum de classe média revolta-se contra o politicamente correto, garante que há exagero nas denúncias de assédio sexual, considera vagabundo quem precisa de auxílio de políticas públicas, acha salutar certo trabalho infantil, especialmente do filho dos outros, os filhos dos pobres, assegura que algumas mulheres provocam o estupro, admira Donald Trump, sonha com a volta dos militares, ataca a corrupção e pede nota fria para enganar a Receita Federal. E vota em Bolsonaro.

Vota com entusiasmo no “mito” que trará de volta os “bons velhos tempos”. O senso comum tem certeza de que criança precisa de palmada e, às vezes, até de uma “boa” surra para se educar e aprender os bons valores, os valores da ordem e da dominação branca masculina.

O senso comum é um senhor de ceroula no portão de casa que discursa sentindo-se coberto por justa indignação e um fraque de mentirinha: “Não se pode mais chamar negro de crioulo nem gay de viado. Um absurdo! Onde já se viu!? Estamos numa ditadura. Um homem de bem não tem direito a mais nada. Homem não pode mais nem gostar de mulher. Vamos ser todos putos”. E vota em Bolsonaro.

O senso comum odeia a corrupção, mas odeia mais a corrupção de uns que a de outros, odeia mais a “corrupção” de costumes que o roubo do dinheiro público, embora diga o contrário, pois é o que provoca mais empatia.

O senso comum culpa o Estado por existir e nunca imagina que o Estado seja apenas uma forma de organização da sociedade. Sentindo-se livre, leve e solto, o senso comum se acha erudito e ensina: “O nazismo era de esquerda, The Economist não é liberal, Pinochet foi um democrata”. E vota em Bolsonaro. Vota com paixão.

O homem do senso comum carrega o pior nas entranhas e sente vontade de vomitá-lo para regar o mundo com seu fel, que considera um adubo. No mundo do homem do senso comum há uma hierarquia a ser respeitada.

O modelo desse mundo ideal é o quartel. É um mundo sem manifestações, sem greves e sem pessoas interrompendo ruas para protestar contra racismo, homofobia, machismo, xenofobia, sexismo e outros que tais.

A forma de governo desse velho novo mundo é o que Álvaro Larangeira chama de ignorancialismo. O homem do senso comum, que encontrou nas redes sociais o campo ideal para a sua intolerância, embriagado de pretensa sabedoria, sobe num toco e insulta o mundo com sua teimosia. Uiva: “Abaixo o comunismo”. E vota em Jair Bolsonaro para salvar o Brasil de Mao, Lenin e Fidel Castro.

Quem salva o Brasil do homem do senso comum?

(Juremir Machado da silva)

 
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Publicado por em 10/10/2018 em Política, Reflexão

 

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