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O tempo, as rugas e as cicatrizes

Desde que fomos criados simples, mas destinados à perfeição e a felicidade, por obra do amor e sabedoria Divinas, travamos uma frenética batalha contra o tempo.

Rebeldes e inconformados, alimentamos a ilusão de um dia conseguirmos prendê-lo em algum lugar muito seguro, trancá-lo e destruir as chaves para que ele não siga seu curso normal.

Assim satisfazendo nosso orgulho e nossa vaidade permanecendo eternamente jovens e belos, como se a juventude, o vigor físico e a beleza das formas fossem o único objetivo da Criação.

O tempo é por nós considerado o vilão implacável que prejudica o corpo, e nos ‘presenteia’ com rugas e experiências traumáticas impostas pelo outros e que nos deixam cicatrizes doloridas; sempre os ‘outros’ e nunca nós mesmos.

Chegamos inclusive a por em risco a vida, para não tornarem-se visíveis os sinais do envelhecimento natural das células e corremos para as academias de ginástica e para os cirurgiões plásticos numa busca insana pelo corpo perfeito.

Afastamos pessoas de nossas vidas por medo de que elas possam nos ferir ou por achar simplesmente que ao se mostrarem solicitas e gentis para conosco, estão querendo algo a mais e que poderemos perder material ou mesmo emocionalmente. E nunca estamos dispostos a perder.

Achamos que podemos moldar os outros ou que um dia iremos encontrar aqueles que vão ser como queremos e que vão fazer a nossa vontade.

Enquanto não encontramos, vamos descartando os que não se enquadram. Essa é a nossa visão profundamente egoísta de felicidade.

Porém agindo assim, somos nós que estamos causando rugas e cicatrizes nos outros e em nós mesmos. Sem nos darmos conta, vamos jogando a vida fora, desperdiçando as oportunidades de caminhar mais rápido em direção à felicidade.

O tempo é o sábio aliado que nos permite aprender que a vida sempre continua; que o corpo é o veículo que possuímos para empreender esta jornada e temos que cuidar bem dele enquanto vivermos na Terra, mas que a vida eterna é a do Espírito.

Que somos diferentes nas formas e nos caminhos que escolhemos; mas que o respeito próprio, o respeito às escolhas de cada um, e a convivência harmônica com as diferenças são condições imprescindíveis para o nosso crescimento espiritual.

E que se soubermos aproveitá-lo bem, exercitando o amor, o perdão, a caridade e o trabalho para o bem de todos; as rugas serão sinais serenos da nossa experiência e aprendizado e as cicatrizes serão as marcas da vitória na luta pela superação de nossas próprias imperfeições.

Pois afinal, somos todos filhos amados do mesmo Pai, que confia em nós mais do que ninguém, embora tantas e tantas vezes duvidemos do Seu Amor.

Silvia Gomes

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Publicado por em 02/11/2012 em Reflexão

 

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